Imersão GEASur no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO)

O PARNASO COMO PALCO: A IMERSÃO COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA DE UM GRUPO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde el Sur (GEASur) é um grupo de pesquisa acadêmico*  vinculado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), criado em 2012 com o objetivo de atuar no ensino,  pesquisa e extensão, fazendo o recorte da educação ambiental “desde el sur”. Ou seja, uma educação ambiental pensada a partir do contexto latinoamericano , onde os contextos históricos e geopolíticos preconizam as tensões socioambientais de nossa atualidade. Por isso, esta perspectiva é aliada a discussões que se debruçam sobre os conceitos de decolonialidade, interculturalidade e ecologia de saberes; com bases epistemológicas contempladas pelos campos da educação ambiental crítica e sobretudo educação ambiental de base comunitária e ecologia política.

O GEASur prioriza uma metodologia de trabalho coletivo, onde as reuniões semanais são espaços de escrita, orientação, aulas e leituras em grupo, acreditando que este espaço traga aprendizagens com o potencial de proporcionar trocas de saberes e de conhecimentos de uma forma diferenciada do modelo de produção ou de estudo individual. Segundo o próprio Paulo Freire, uma de nossas referências de base, no livro a Pedagogia do Oprimido (1981): Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. As pessoas se educam entre si.”

Esta perspectiva coletiva ganhou a contribuição de uma proposta de imersão, onde o grupo teve a oportunidade de conviver durante três dias no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no município de Teresópolis, RJ. Percebemos que seria um grande passo para um grupo que trabalha junto cotidianamente se reconhecer como seres humanos com histórias de vida e jornadas profissionais que não são detalhadas em entrevistas e curriculuns tradicionais; além de termos a oportunidade de produzir nas respectivas pesquisas, neste contexto de “conhecer o outro”.

imersãoGeasur

O GEASur se hospedou no Parque Nacional da Serra dos Órgãos durante o período do dia 04 de junho ao dia 06 de junho de 2015. No primeiro dia de encontro, realizamos uma dinâmica de integração, na qual todos os pesquisadores do grupo contaram suas trajetórias e jornadas profissionais relatada sob um ponto de vista mais particular e o que os motivou a reingressarem na vida acadêmica. Um dos relatos que tocou o grupo foi a fala de Sônia Terezinha de Oliveira, servidora pública da UNIRIO há mais de 20 anos e pesquisadora do GEASur:

No período que antecedeu ao primeiro encontro do GEASur vários sentimentos, como: medo, incerteza, euforia afloravam em mim. Uma série de perguntas que naquele momento, não teriam respostas, tais como: O que estudaria? Conseguiria acompanhar? Poderia ser capaz de compreender os assuntos abordados? (…) Aos poucos fui conhecendo as pessoas que integravam o grupo, seus trabalhos acadêmicos, suas teses. (…) A diversidade do grupo enriquece trocas de experiências, de conhecimentos e de vivências no campo da educação ambiental crítica. Nos encontros comecei a entender e compreender a amplitude de estudar em grupo, o que significava a sigla GEASur, o conceito, as ideais, metas, objetivos a serem alcançados, a função de grupo. A participação no grupo de estudo ajudou a amadurecer meus pensamentos e reflexões. Pensando e repensando desejava estudar algo que pudesse no futuro próximo implementar, promover, ser uma multiplicadora do conhecimento, poder fazer a diferença, que fosse um divisor de águas e não apenas um curso para receber mais um certificado ou diploma.”

Este olhar de Sônia vai de encontro ao que o GEASur propõe como grupo de pesquisa: uma contribuição à formação humana, que faça da universidade pública um lugar para todos e todas, que contempla a perspectiva do próprio grupo de que o processo educativo, além de ser intelectual, deve ser um processo de educação para a cidadania. Como reflexo desta perspectiva, ao longo da imersão houveram apresentações sobre  história e cultura da África e da América Latina. No segundo dia, os pesquisadores dialogaram sobre suas pesquisas e seus momentos de investigação, com espaço para trabalhar na escrita, onde todos puderam se ajudar, trazendo reflexões e considerações. Ao final foi feita uma roda de avaliação do processo, destacando que a proposta de imersão legitima a dimensão pedagógica da convivência humana para a produção de trabalhos intelectuais construídos com base em uma autonomia coletiva. Desta forma, destaca-se a importância do PARNASO possuir infraestrutura necessária  para o alojamento de pesquisadores e grupos interessados em um aprofundamento em sua formação.

PESQUISADORES PARTICIPANTES DA IMERSÃO

Sônia Oliveira; Marcelo Stortti; Anne Kassiadou; Júlio Vitor; Ana Carolina; Rafaella Uchôa; Bárbara Pelacani; Igor Lobo; Gleice Máira; Daniel Renaud; Euzimar Gomes; Bárbara Thees; Celso Sánchez.

Este texto foi publicado nos Anais do XIII Encontro de Pesquisadores e VII Encontro de Educação Ambiental da Serra dos Órgãos. O trabalho está disponível no link:

http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/DCOM_anais_13_pesquisa_Parna_Serra_dos_Orgaos.pdf