II Curso de Extensão do GEASur – Ecologia Política e Educação Ambiental de Base Comunitária – 3ª aula

II Curso de Extensão em Ecologia Política e Educação Ambiental de Base Comunitária (GEASur)
Aula nº3 – 21 de julho
Tema: “Conceito de Totalidade para subsidiar práticas em Educação Ambiental”.

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Palestrantes: Prof. Dra Inny Accioly (UFRJ) e Mônica Lima (Aldeia Maracanã).

Resumo por Daniel Renaud, Marcelo Stortti e Stephanie di Chiara

 

Essa foi uma aula prática na Aldeia Maracanã. Tivemos um momento inicial de apresentação dos participantes e das palestrantes convidadas, depois foi realizada uma singela homenagem à Marielle Franco, a quem todas atividades do GEASur têm sido dedicadas neste semestre.

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Na sequência, foi realizada uma visita guiada pelo prédio do antigo museu do índio, onde os participantes puderam observar e fotografar o espaço enquanto ouviam relatos sobre a história do território e da ocupação da aldeia maracanã. Após, iniciou-se um mutirão orientado pelo Dário, indígena da Aldeia Maracanã, onde os participantes do curso puderam realizar diferentes atividades práticas que incluíram: a retirada do asfalto para liberar o solo; o plantio de mudas e sementes; a irrigação de mudas e árvores previamente plantadas; ou seja, o manejo da área. Após este momento, todos os participantes se reuniram na Oca para ouvir a fala da palestrante Inny Accioly sobre o conceito de totalidade na educação ambiental crítica. Iniciou sua palestra com a pergunta: Como passar da critica para a práxis?


Em seguida, a ativista Monica Lima fez uma fala orientando para a dinâmica que se seguiria. Foram elencados 5 temas para discussão em grupo: Universidade Indígena, Escola Indígena; Congresso Indígena; Movimentos autônomos latino-americanos de autodefesa; Fossa de evapotranspiração. Os participantes do curso se dividiram nos grupos de acordo com seus interesses, e tiveram 30 minutos para leitura do material disponibilizado e para a formulação de propostas concretas de ação para o fortalecimento da Aldeia Maracanã e, consequentemente, do movimento indígena. Decorrido o tempo, novamente foi organizada uma grande roda, onde os grupos apresentaram seus temas, suas sínteses e propostas de intervenção.

Tirou-se uma data de retorno à Aldeia Maracanã, 15 de setembro às 14h, para avaliação da implementação das propostas que surgiram deste primeiro momento. Para encerrar a vivência na Aldeia, fizemos uma fogueira, onde os indígenas entoaram seus cantos e todos dançamos.

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II Curso de Extensão do GEASur – Ecologia Política e Educação Ambiental de Base Comunitária – Trabalho final

A todos os participantes do II Curso de Ecologia Política e Educação Ambiental de Base Comunitária na América Latina segue modelo para elaboração do trabalho final a ser enviado por email para o endereço eletrônico geasur@hotmail.com até o dia 5 de outubro de 2018.
Lembrando que os trabalhos deverão ser divididos por 3 eixos temáticos: Educação Ambiental em Espaços Formais de Ensino; Educação Ambiental de Base Popular; Educação Ambiental e Ecologia Política.

O trabalho pode ser feito em grupo de até quatro participantes, trio, dupla ou individual.

Destacamos que os participantes deverão indicar o eixo escolhido até o último encontro do curso, no dia 18 de Agosto.

No link a seguir está o modelo de formatação do trabalho:

MODELO ARTIGO PARA CURSO GEASUR

II Curso de Extensão do GEASur – Ecologia Política e Educação Ambiental de Base Comunitária – 2ª aula

Relatoria do II Curso de Extensão do GEASur – Ecologia Política e Educação Ambiental
de Base Comunitária – 07/07/2018 – 2ª aula. Realizada por Gaby Trindade.


– 1º momento: Introdução do GEASur
Daniel, membro do GEASur, explica o que é a Educação Ambiental de Base Comunitária,
conceito que articula a perspectiva da Educação Ambiental Crítica na América Latina, a partir
de lutas sociais. Para mais informações sobre isso, indicamos a leitura de autores como Paulo
Freire e Arboleda, além de trabalhos do próprio GEASur tais como as dissertações de Júlio
Vitor Costa da Silva (Sociedades de água do morro da Formiga: Subsídios para Educação
Ambiental de base comunitária e ecologia de saberes em uma favela carioca) e Daniel Renaud
Camargo (Lendas, rezas e garrafadas: educação ambiental de base comunitária e os saberes
locais no Vale do Jequitinhonha).
Anne, membro do GEAsur, perpassa o histórico do grupo, o situando na discussão das
macrotendências da Educação Ambiental no Brasil (conservacionista, pragmática e crítica.
Para maiores informações sobre essa temática, indicamos o texto AS MACROTENDÊNCIAS
POLÍTICO-PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA, de PHILIPPE
POMIER LAYRARGUES e GUSTAVO FERREIRA DA COSTA LIMA). Nesse contexto, o
GEASur se alinha à tendência crítica, mas com o diferencial de dialogar com o acervo teórico e
prático da América Latina. Ressignifcamos o debate. Disputamos política e ideologicamente
esse campo contraditório. Situando a Educação Ambiental Crítica frente às demandas,
dialogamos com a Ecologia Política e com a temática “conflito ambiental”, tema comumente
ocultado, até porque ele evidencia os papéis de cada ator social envolvido no mesmo. Uma das
coisas que o GEASur investiga é justamente a pedagogia que emerge desses conflitos. Anne
também destaca uma fala do professor Mauro Guimarães, da UFRRJ, que é fundamental
especialmente para educadores: precisamos ter cuidado com a tendência a entrar numa
“armadilha pragmática”, ou seja, reproduzir os modelos e o sistema sem perceber, achando
que está questionando quando na verdade está fazendo as mesmas práticas que condena.
– 2º momento: Fala do Profº Henri Acselrad e perguntas
Henri falou sobre a justiça ambiental no contexto dos conflitos ambientais. Iniciou discutindo o
processo de ambientalização das lutas sociais. Destacou que esse debate se iniciou na
sociologia rural e depois acabou influenciando a sociologia ambiental. Depois apontou algumas
contribuições do trabalho do geógrafo britânico David Harvey e do filósofo e sociólogo francês
Henri Lefebvre, destacando o debate em torno das chamadas “práticas espaciais” e das
tentativas de legitimação ou deslegitimação de tais práticas.
O professor seguiu argumentando que o atual modelo de desenvolvimento apresenta um
determinado padrão dominante de apropriação do espaço e de seus recursos que muitas vezes
esbarra nos interesses e invade os territórios de populações tradicionais e povos originários
que, em geral, saem em desvantagem nessa história. É diante deste confronto que surge o
conceito de Conflito Ambiental, um conceito que corresponde a ideia de que grupos sociais
com modos diferentes de uso, apropriação e significação do espaço e seus recursos acabam por entrar em conflito devido ao fato de as práticas de um dos grupos afetarem ou
comprometerem o estilo de vida e as práticas do outro grupo.
Depois o professor comentou a apropriação deste discurso de ambientalização pelos
movimentos sociais e exemplificou com o caso do MST, que em sua luta para garantir de uma
reforma agrária adota o discurso ambientalista e passam a questionar se de fato é possível
considerar o modelo de monocultura dos latifundiários como “terras produtivas”.
Sobre estas lutas discursivas, Henri ainda exemplificou com Georgescu Roegen, o matemático
e economista considerado pai da bioeconomia que traz os debates em torno da visão utilitária e
hegemônica de Meio Ambiente enquanto recurso natural e sobre a dualidade entropia x
sintropia. Continuou destacando a visão de que as questões sociais e as questões ambientais
estão interligadas e, do mesmo modo, as lutas sociais e as lutas ambientais deveriam andar
juntas, pois, assim como existe uma desigualdade social, há também a desigualdade
ambiental.
Depois o professor Henri falou sobre as tentativas de defender a condição capitalista chegando
ao absurdo de naturalizar a poluição e da criação de um verdadeiro culto ao progresso
tecnológico como solução dos problemas ambientais. Na sequência comentou o problema da
privatização dos espaços comuns, da apropriação de espaços comunais para atividades que
degradam o ambiente e agravam as desigualdades.
Henri comentou ainda que em países do Norte como o Canadá a visão de privatização da
natureza vem se tornando uma tendência cada vez mais forte, reproduzindo a falsa ideia de
que privatizando todos os problemas seriam magicamente solucionados.
Após essa fala, discutimos o conceito de Racismo Ambiental, comentamos sobre a falácia da
democracia da poluição (ideia de que a poluição atinge à todos igualmente), falamos sobre o
cenário de governança socioambiental global e pensamos os megaeventos e a expropriação
territorial. Também compartilhamos um pouco da história do povo Mapuche, que sofrem com a
chegada de empresários internacionais que se apropriam de suas terras. O espaço também é
aproveitado para frisar que ações ambientais e ações educativas não são como receitas de
bolo, não são simplesmente reproduzíveis em todo e qualquer contexto.
– 3º momento: Fala do Profº Sebastião Raulino e perguntas
Inicia contando sua história, quando começa sua preocupação social. Ele é da FAPP – BG
(Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas Cercanias da Baía de
Guanabara), MPS (Movimento Pró-Saneamento e Meio Ambiente da Região do Parque
Araruama) e RBJA (Rede Brasileira de Justiça Ambiental).
Fala sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania. Conta do caso Rhodia, na Baixada
Santista, cujo descarte tóxico das fábricas contaminou trabalhadores e moradores
(http://www.acpo.org.br/biblioteca/bb/Dossie1.htm). E comenta sobre a etapa II do Pré-Sal, na
qual o litoral do Paraná, Santa Catarina e sul de São Paulo seriam os mais atingidos por um hipotético (e provável) vazamento, ao invés de Cabo Frio, que é o ponto mais próximo da
perfuração. Explica como muitos enfrentamentos foram possíveis por conta da ação em rede.
Fala da opção pela educação ambiental crítica, buscando a justiça ambiental.
O professor relata sua primeira experiência propondo a Conferência Infanto-Juvenil pela Justiça
Ambiental da 6ª CRE (SME-Rio). Essa CRE envolve Pavuna, Costa Barros, Acari, etc… O
projeto foi por adesão, não era obrigatório. Organizaram GTs de professores e discutiram junto
aos alunos água, atmosfera, resíduos, etc… Os estudantes elegeram delegados e estes
votaram a Agenda 21 pela Justiça Ambiental. Na época em que iriam começar a por em prática
as propostas votadas, começou a gestão Paes, com uma postura mais centralizadora, com os
cadernos pedagógicos, e isso tirou um tanto a liberdade dos professores e minou o projeto.
Comenta também como os professores das escolas costumam conhecer pouco do contexto do
entorno.
No espaço para perguntas, nos questionamos sobre privatização de saneamento básico e
plano de Resíduos Sólidos nos municípios; “nossa população não é violenta, mas violentada”:
como vamos mobilizar pessoas para lutar pelo saneamento básico sem nem ter garantido à
eles o direito à vida? Como MPS e FAPP dialogam com a população?; temos também uma fala
de agradecimento por estar na UNIRIO falando sobre a Baixada Fluminense e a fala de Daniel
Ferreira, mecânico, diretor da associação de moradores de Caxias.
Já no espaço para respostas, Sebastião ressalta que a Baixada convive com grupos de
extermínio há tempos e é preciso ter cuidado nos diálogos ali. Sobre a atuação dos grupos,
eles crescem justamente com a busca e troca de saberes. Afirma que precisamos pensar e sair
da petro-dependência e nos atentar para planos futuros. Salienta que é contra a privatização e
que é preciso garantir direito à água com empresa pública e que o público funcione.
Finalizando o espaço, Mona, do Piauí, fala sobre não conhecermos a nossa história, e como
isso faz com que repitamos ela. Fala de bairros negros na Bahia que sofrem com contaminação
de chumbo; de quilombos no Amapá que estão lutando contra resíduos de manganês; a
questão da Transnordestina; dentre outros. Ressalta que muitas vezes a empresa só muda de
nome. Indica livro Planeta Favela, de Mike Davis, além de Negro Bispo e a bio interação.
Comenta também como o Piauí está ameaçado pelo avanço da monocultura. E fala da
dimensão do sagrado dos territórios.

 

O Corpo Político: dança como ação coletiva entre a América Latina e os Estudos Unidos [aula prática]

“O que é um corpo político?”
“A dança cria conexões entre as pessoas?”
texto de Stephanie di Chiara
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Foi com essas duas perguntas que iniciamos a aula-prática “O Corpo Político: dança como ação coletiva entre a América Latina e os Estados Unidos”, com as professoras  Camila Daniel (UFRRJ-Brasil), Franca Muller Paz (Peru/EUA) e Mariana Castañeda Lopez (México/EUA), e com a participação especial de Gustavo Omar (Peru/Brasil), no sábado dia 7 de julho.
Aprendemos com elas que as lutas na Latinoamérica se fazem também com alegria. Que a própria alegria é uma luta, como pudemos aprender com o ritmo do Tondero, através da história da canção “La bamba”, primeira música latina a chegar ao topo de Billboard, que por trás do seu ritmo dançante e alegre, carrega o histórico de colonização e de pirataria.
Aprendemos também que a dança, além de nos conectar com as pessoas, em diversas culturas afro-latinas, nos conecta também com a natureza, dançadas e sentidas com o pé no chão, tocando a terra, pisando firme, como é o caso do Festejo – dança afro-peruana que mimetiza os movimentos de cortejo de aves.
E é claro que não ficamos apenas na teoria! Dançamos juntos e juntas, em roda.
Gratidão às professoras e a todas e todos que estiveram conosco nessa manhã de tanto aprendizado.

GEASur e a Arte: Exposição Memórias do Vale e Pensamentos desde el Sur

Memórias sobre Lendas, Rezas e Garrafadas:  cadernos de viagens ao Vale do Jequitinhonha

 

“Conta, canta contador,
 conta a história que eu pedi.
 Dizem que o Jequi tem onha,
conta as onhas do jequi”.
 Os versos do poeta Gonzaga Medeiros sugerem e Daniel, então, conta e compartilha suas memórias e percepções sobre viagens ao Jequitinhonha. Um convite a um passeio através dos desenhos em cadernos de campo e pesquisa de mestrado, que transbordam o olhar do pesquisador e estampam o encantamento de impressões e intuições sobre a cultura, a natureza e as paisagens locais.
O pesquisador e artista também apresenta o trabalho “Pensamentos desde el Sur”, um olhar inspirado por muitos olhares, uma homenagem a pensadores, personalidades e amigos que influenciaram suas pesquisas teóricas e práticas.
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Daniel Renaud Camargo formou-se Bacharel em Ciências Ambientais e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), e atualmente é doutorando do programa de pós-graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
​Desenvolve pesquisas sobre Cultura Popular, Educação Ambiental, Educação Popular, Eventos Climáticos Extremos e História de Comunidades do Vale do Jequitinhonha.
Atua com Educação Ambiental de Base Comunitária em uma perspectiva de proteção dos Saberes Locais.
Recentemente começou a produzir desenhos e ilustrações em Nanquim, Aquarela, Arte digital e Grafite.

GEASur e a Arte: Exposição Varais na Paisagem

Título: Varais na Paisagem
Técnica: Fotografia
O varal expressa em suas diferentes manifestações o encantamento da vida e das coisas simples, relacionadas não só ao uso do objeto, mas também às gestualidades cotidianas incorporadas a ele, transformando a paisagem como uma obra aberta, uma escultura em perene construção.
Os fios do varal enredam, nestas imagens, um conjunto de narrativas latentes da prosa tanto da vida privada quanto, em certa medida, socioambiental. Em determinada imagem observam-se desenhos e cores do reggae, figuras negras, roupas joviais e uma bermuda de surfista onde se lêem (n)egro, força, garra, paixão. Em outras, caixa d’água, blusa de futebol e biquíni, ou ainda, lençóis, renda e texturas delicadas; varais dentro ou fora das casas, evidenciando diferenças culturais e sociais, como também a relação que cada comunidade elabora com o espaço público. Varais na Paisagem é um trabalho fotográfico, realizado continuamente desde 2013, que propõe a percepção sutil e estética de tão comuns quanto diferentes existências.
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Tita Bevilaqua
Artista e pesquisadora com mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense – UFF e especialização em Teoria e Praxis do Meio Ambiente pelo Instituto de Estudos da Religião – ISER. Tem experiência profissional e formação complementar na área de Artes, com ênfase em artes visuais e do corpo, pesquisando o campo de interação pedagógica em processos de criação coletiva e da arte socialmente engajada em contextos sociais, e investigando, ainda, referências ou imagens “sobreviventes”, especialmente da arte e da cultura popular brasileira, que relacionam-se a um tempo livre e às ancestralidades futuras.